O GRANDE ENGANO

 

receio que, assim como a serpente enganou a Eva com a sua astúcia, assim também seja corrompida a vossa mente e se aparte da simplicidade e pureza devidas a Cristo. 2 Coríntios 11:3.

O homem é um ser religioso. Desde os tempos mais remotos, ele tem levantado altares. Há povos sem leis, sem governos, sem economia, sem escolas, mas jamais sem religião. O homem tem sede do eterno. Deus mesmo colocou a eternidade no coração do homem. Cada religião busca oferecer ao homem o caminho de volta para Deus. É a tentativa desesperada de reconciliação com Deus. A deturpação do pecado, a sagacidade do diabo e a corrupção do mundo entenebreceram a mente humana, e o homem perdeu-se no cipoal desta busca do sagrado. Religiões esdrúxulas são engendradas com vistas a arrastar os homens para os corredores escuros do obscurantismo espiritual. O pecado embruteceu o homem, o diabo cegou o seu entendimento e por isso, cada vez mais, as religiões afastam os homens de Deus, em vez de aproximá-los. A religião é um caminho que o homem tenta abrir da terra para o céu. Hoje a busca incessante é por algo espetacular, extraordinário, e tudo aquilo que pode ser constatado e todo tipo de novidade. É isso que todo religioso busca. Atos 17:21-22. Pois todos os de Atenas e os estrangeiros residentes de outra coisa não cuidavam senão dizer ou ouvir as últimas novidades. Então, Paulo, levantando-se no meio do Areópago, disse: Senhores atenienses! Em tudo vos vejo acentuadamente religiosos.

O pecado rompeu a harmonia e a comunhão do homem com Deus, consigo mesmo, com o próximo e com a natureza. O pecado desestruturou o homem e todas as suas relações. O pecado atingiu e afetou o homem como um todo e atingiu cada área da sua vida. Aquele que foi criado à imagem e semelhança de Deus tornou-se um ser ambíguo, confuso e contraditório. De dentro do coração do homem vasa uma torrente caudalosa de sujidades. O coração humano tornou-se enganoso e desesperadamente corrupto, um poço de sentimentos mesquinhos e desejos abomináveis. A corrupção do meio nada mais é do que o transbordamento da maldade que está em ebulição no coração do homem. Onde quer que o homem põe a mão, ele contamina o ambiente. Quem da imundícia poderá tirar coisa pura? Ninguém! Jó 14:4.

Em virtude dessa dolorosa realidade, surgiram e ainda surgem milhares de religiões, criadas pelo engenho humano, por mentes corrompidas, espíritos manietados e subservientes aos caprichos do diabo, para afastar ainda mais os homens de Deus. Há, portanto, muitos “altares” espúrios, muitos deuses falsos, muitos cultos abomináveis para Deus. Não poucas vezes, o homem adora a criatura em lugar do criador. Muitos “crentes” em rebelião contra Deus servem deliberadamente aos seus próprios desejos satisfazendo assim a vontade do seu pai. O que é mais chocante é que há também aqueles que, mesmo conhecendo a verdade, adotam um modelo doentio de espiritualidade e não aquele que vem de Deus. Irmãos, sede imitadores meus e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós. Filipenses 3:17.

Testemunhamos hoje o florescimento do humanismo exacerbado. Tudo gira em torno do homem. O homem é o centro e a medida de todas as coisas. A vontade do homem deve ser sempre satisfeita. Até mesmo a religião precisa adequar-se às pesquisas de mercado. A verdade perdeu o seu valor fundamental para esta geração humanista. As pessoas embaladas pelo pragmatismo emergente buscam não a verdade, mas o que funciona: não o que é certo, mas o que dá certo. Assim, os cultos mais freqüentados são aqueles que supervalorizam a experiência, ainda que não aferida pela verdade revelada de Deus. Prevalece o subjetivismo. O que está em voga hoje não é o estudo sério, analítico e profundo das Escrituras, mas uma consulta superficial, mística e sentimental da Palavra. É por isso que a cura é superficial. Curam superficialmente a ferida do meu povo, dizendo: Paz, paz; quando não há paz. Jeremias 8:11.

Assim o estudo da Bíblia passou a ser irrelevante: o que importa é o que o “espírito” revela no momento, através de pessoas “inspiradas”. A luz interior tornou-se mais importante do que a revelação escrita de Deus. As pessoas estão ávidas para ouvir os profetas do subjetivismo e os intérpretes de sonhos, em vez de examinar as Escrituras. Correm atrás do místico, não da verdade. Em virtude desse desvio, floresce no meio evangélico uma procura cada vez maior por profetas e profetisas que possam interpretar sonhos e visões e trazer direto para o povo os mistérios da vontade de Deus. Mergulhados cada vez mais em um analfabetismo bíblico, os incautos fluem aos borbotões para esses redutos, sorvendo sem questionar todo o ensino que brota do enganoso coração humano, em vez de beber da água limpa que jorra das Escrituras. Cavam cisternas rotas e abandonam a fonte das águas vivas. Seguem conselhos de homens e deixam os preceitos do Senhor. Obedecem cegamente a líderes pseudo-espirituais e rejeitam a suficiência das Escrituras. Este povo maligno, que se recusa a ouvir as minhas palavras, que caminha segundo a dureza do seu coração e anda após outros deuses para os servir e adorar, será tal como este cinto, que para nada presta. Jeremias 13:10.

A preocupação do homem moderno é agradar a si mesmo, e não a Deus. Ele quer sentir-se bem. Quer ter experiências arrebatadoras. Ele busca experiências que lhe provoquem calafrios na espinha. O homem está ávido por ver sinais e maravilhas, e anda atrás de milagres. Para o homem moderno, a religião precisa apelar não à sua razão, mas às suas emoções. Ele não quer conhecer, quer sentir. O culto não é racional, é sensorial. Sua mente está embotada, sua razão adormecida. Não importa o que as pessoas falem desde que ele experimente uma catarse. Ele não quer julgar os fatos: para ele, tudo o que parece ser sobrenatural é bom. O sentimento prevaleceu sobre a razão. As emoções assentaram-se no trono. Elas têm a última palavra. Para muitas pessoas, a religião está-se transformando em um ópio, um narcótico que anestesia a alma e coloca em sono profundo as grandes inquietações da mente. E digo isto a vós outros que conheceis o tempo: já é hora de vos despertardes do sono; porque a nossa salvação está, agora, mais perto do que quando no princípio cremos. Romanos 13:11.

Para continuar alimentando o homem com fortes emoções e mantê-lo em contínuo estado de êxtase, é preciso criar novidades a cada dia. O culto, então, passa a ser elaborado com vistas a despertar fortes emoções. A música é executada para mexer com os sentimentos. A mensagem é pregada para atender ao gosto da freguesia. Tudo está centrado no propósito de agradar ao homem e, satisfazer seus anseios. E o culto do homem para o homem. E o culto da terra para a terra. É o culto-show, em que o dirigente precisa ter um desempenho eficaz na arte de manipular as emoções. As pessoas buscam os sopros poderosos, as visões celestiais, as revelações forâneas às Escrituras, as experiências arrebatadoras, as emoções fortes, mas continuam cada vez mais vazias. Não adianta vocês consultarem os ídolos ou os médiuns, pois eles só dizem bobagens e mentiras. Os que explicam sonhos são falsos, e as suas palavras de consolo não ajudam nada. Por isso, o povo vive aflito e anda sem direção, como ovelhas que não têm pastor. Zacarias 10:2 (LH).

Essa espiritualidade cênica e teatral traz fogo estranho diante do Senhor. O culto não pode ser apenas um veículo para atender às nos¬sas necessidades emocionais. Não pode ser apenas uma expressão cultural. O culto deve ser bíblico, balizado pela verdade revelada de Deus. Jesus declarou à mulher samaritana que Deus não está procurando adoração, mas adoradores que o adorem em espírito e em verdade. Antes de aceitar o nosso culto, Deus precisa aceitar a nossa vida. Jesus falou sobre o fariseu que foi ao templo para orar. Ele não fez uma oração, mas um panegírico de auto-elogio. Trombeteou suas próprias virtudes, ao mesmo tempo que, com palavras ácidas, assacou acusações pesadas contra o publicano, o qual, por sua vez, não ousou levantar os olhos, mas clamou com angústia de alma: O publicano, porém, estando em pé, de longe, nem ainda queria levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador! Lucas 18:13.

Não adianta ter um culto carismático se a vida do adorador é imoral. Não adianta expulsar demônios, se o exorcista é desonesto em seus negócios. Não adianta falar em outras línguas no culto e depois entregar-se à maledicência em casa. Não adianta apresentar a oferta no altar, se o coração é um poço de inveja e amargura. Se cremos que morremos e ressuscitamos com Cristo, o nosso culto deve ser verdadeiro. Não podemos ter uma religiosidade centrada na preferência ou no gosto do auditório. O culto precisa ser bíblico. O culto é teocêntrico, e não antropocêntrico. A verdade de Deus não é subjetiva ou indefinível. Os princípios de Deus são supraculturais e eternos. Não podemos chegar com fogo fabricado, ou seja, fogo estranho diante de Deus. O fogo estranho é bonito, é quente, é atraente, é fruto do esforço humano, mas não vem do céu: é fabricado na terra, é uma conspiração contra o verdadeiro fogo, uma abominação para Deus. Nem sempre aquilo que impressiona os homens, impressiona a Deus. Aquilo que os homens aplaudem, muitas vezes, é abominação para Deus. O culto ou é bíblico, ou é anátema. Por isso Deus ama o sacrifício dos lábios que confessam o Seu nome. Por meio de Jesus, pois, ofereçamos a Deus, sempre, sacrifício de louvor, que é o fruto de lábios que confessam o seu nome. Hebreus 13:15. Amém. Deus abençoe sua vida. Projeto Benção e ação e Pregador Maurio Maciel.

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